Decoro vocal e instrumental na invenção melódica segundo Mattheson (1739)

Autores/as

  • Marcus Held
  • Mônica Isabel Lucas

Palabras clave:

música vocal, música instrumental, gosto, retórica Musical, Johann Mattheson

Resumen

Nas preceptivas europeias setecentistas, constam, com frequência, comparações entre a música vocal e a música instrumental. A primeira, sempre subsidiada pelo texto, é capaz de mover os afetos de seus ouvintes com maior facilidade e precisão. A segunda, pela ampla possibilidade de artifícios, provê maior liberdade inventiva ao compositor. Em O mestre-de-capela perfeito (1739), o maior tratado escrito por Johann Mattheson (1681-1764) e um dos mais importantes do século XVIII, o autor formula um capítulo inteiramente dedicado "às diferenças entre as melodias cantáveis e tocáveis".  Nas 17 "diferenças" postuladas, é possível verificar que o autor se distancia da querela corrente ao descrever tanto as potencialidades quanto as fragi-lidades de uma e de outra, instruindo o leitor a discernir, com vistas ao bom gosto, a adequação de decoro apropriada a cada uma delas. Neste sentido, este artigo se propõe a analisar o texto de Mattheson com base nos pressupostos da retórica latina. A partir deste estudo, ficará claro que, no pensamento musical representado por Mattheson, a gramática e a retórica discursiva regem tanto a música cantada quanto a tocada, pois ambas constituem práticas de bom gosto, desde que respeitado o decoro conveniente, bem como formas de representação eficazes para alcançar a edificação moral.

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Publicado

2023-12-18

Número

Sección

Dossier: XIII Encuentro de Investigadores en Poética Musical...